Voando Sob o Radar: Um Intercâmbio Transcultural entre
Rio de Janeiro e São Francisco, Abril de 2016
Voando Sob o Radar será um festival interdisciplinar de artes de cinco dias, com a participação de cerca de trinta artistas e escritores que trabalham com uma variedade de mídias e atualmente moram na Região Metropolitana do Rio de Janeiro ou na área da baía de São Francisco. O evento ocorrerá em São Francisco e imediações, em abril de 2016.
As duas cidades formam uma parceria lógica com muitas semelhanças, tanto físicas quanto culturais. Ambas existem em paisagens naturais extraordinárias, possuem identidades culturais únicas, contam com uma presença importante no comércio internacional e exibem uma riqueza de instituições de arte e educação de renome. Entre todas as características comuns ao Rio e a São Francisco, a mais proeminente é a tradição contínua de aceitar imigrantes de braços abertos. Desde as suas fundações, ondas de imigrantes de dentro e de fora das fronteiras nacionais chegaram nestas metrópoles e nas suas cercanias à procura de oportunidades, e muitos encontraram abrigo em meio ao tecido da sociedade urbana. As populações multiculturais e multiétnicas que surgiram dos séculos de imigração foram instrumentais na transformação destas cidades portuárias em caldeirões de mudança social.
No passado e no presente, sociedades abertas a influências externas se tornaram fontes de amplas inovações; a natureza dinâmica de oportunidade que marca estes tipos de sociedade sempre atraiu grandes quantidades de indivíduos envolvidos no domínio das artes. Através das suas histórias, tanto o Rio quanto São Francisco produziram, regularmente, obras extraordinárias de literatura e arte. Muitos dos autores destas obras são bastante reconhecidos, mas a maioria dos artistas, inclusive aqueles cujas obras contam com respeito e admiração locais consideráveis, permanece desconhecida do grande público. A qualidade contribui para o renome, mas é raramente o único fator a determinar quais artistas têm visibilidade, e quais não têm. É por isto que um festival como este é importante: para que colaboradores respeitados localmente em lugares específicos possam se conhecer e ser conhecidos pelo mundo em geral.
Para a maioria dos artistas, é a observação de questões e fenômenos locais que move a paixão. Atualmente, há um incontável número de artistas cujos interesses em temas locais os inspiram a criar obras profundamente significativas; muitos destes temas são peculiares às suas comunidades diretas, mas poderiam ser estendidos através de fronteiras nacionais e internacionais com a existência de um fórum no qual pudessem ser apresentados, beneficiando não apenas o público, mas uns aos outros. Promover a comunicação entre comunidades artísticas globais destaca o compartilhamento e ajuda a reduzir os efeitos negativos do nacionalismo e da chamada divisão norte-sul. A reunião de artistas que trabalham temas semelhantes no Rio e em São Francisco pode ser um modelo de comunicação entre economias consolidadas e emergentes. O foco de Voando Sob o Radar, um festival bilíngue não apenas de artes, mas também de artistas, será os artistas subvalorizados destas duas regiões metropolitanas, cujas vozes locais narram questões sociais e pessoais mais amplas. Com o objetivo de
Os objetivos centrais do festival são:
• Apresentar uns aos outros, e ao público, artistas pouco conhecidos ou praticamente desconhecidos, mas extremamente talentosos, envolvidos em explorações vigorosas de questões locais, através de uma gama de mídias artísticas
•Desconstruir estereótipos e promover a transgressão de fronteiras culturais, através de um festival de artes global, que promove a transculturação, ou seja, a mistura de influências culturais de diferentes localidades
•Chamar a atenção e criar interesse público para o compartilhamento que existe em um nível cultural nestas duas grandes democracias, evidenciado nas obras de artistas do Rio de Janeiro e de São Francisco, dois centros semelhantes de mudanças culturais e sociais, onde este ponto comum ainda não foi explorado
David Linger
Diretor do Festival
415.333.1537
email: david@flyingundertheradar.net
elevar a estatura e a exposição do festival, e de oferecer orientação para artistas e autores participantes, indivíduos e instituições eminentes nos campos da arte e da educação no Rio e em São Francisco já se envolveram nas primeiras etapas do planejamento. Buscamos outros parceiros à medida que o processo avança.
O conceito de Voando Sob o Radar (Flying Under the Radar, em inglês) surgiu a partir da segunda FLUPP (Festa Literária das Periferias), que ocorreu em novembro do ano passado, em Vigário Geral, uma enorme favela na Zona Norte do Rio de Janeiro. A FLUPP foi o resultado de sete meses de oficinas e eventos, com a participação de escritores iniciantes das muitas comunidades do Rio de Janeiro. A FLUPP foi o resultado de sete meses de oficinas e eventos, com a participação de escritores iniciantes das muitas comunidades do Rio. O sucesso da primeira FLUPP, que ocorreu em 2012 no recém “pacificado” Morro dos Prazeres, transformou uma ideia ousada em visionária. O sucesso da segunda edição incluiu definitivamente a FLUPP no calendário anual de eventos culturais importantes do Rio de Janeiro.
A FLUPP 2013 não foi organizada em Vigário Geral por acaso; o festival marcou o vigésimo aniversário do pior massacre na história das favelas do Rio, quando elementos da Polícia Militar invadiram a comunidade e assassinaram 21 moradores. Essa tragédia humana foi marcada por uma renascença cultural. Organizar um festival internacional em Vigário Geral foi um ataque direto ao processo de isolamento artístico, cívico e geográfico sofrido não apenas pelos moradores das favelas do Rio, mas por artistas de todo o mundo que lidam com questões que afetam as suas comunidades. Os indivíduos que participaram do evento no ano passado vieram de países tão diversos quanto Espanha e Afeganistão, Grã-Bretanha e Nigéria. O ponto em comum entre eles era a capacidade de transmitir, através da literatura e das artes, suas preocupações em relação às questões importantes com as quais todos nos deparamos.
Durante o festival no Rio, impressionaram-me as semelhanças entre os interesses e abordagens dos artistas da FLUPP e aqueles das pessoas que conhecia na área da baía de São Francisco. Percebi que, apesar da ubiquidade da informação presente na internet, a falta de contato é a responsável pelo bloqueio de uma compreensão cultural mais ampla. Pareceu-me especialmente interessante a ideia de que artistas brasileiros, separados geograficamente, mas não filosoficamente, dos artistas americanos, poderiam estar trabalhando em parceria com eles, e não apenas em paralelo.
Será exigido de todos os artistas que não tragam nada além de si mesmos ao festival. Artistas brasileiros serão emparelhados com parceiros locais com um mês de antecedência, para que possam iniciar a sua colaboração, e serão trazidos cinco dias antes do começo do festival, para que possam começar a trabalhar com seus parceiros em pessoa. Cada par será constituido por dois individuos trabalhando em disciplinas diferentes: músico com videógrafa, escultor com poetisa. Serão fornecidos tradutores, sempre que necessário. Nos primeiros dois dias do festival os artistas irão apresentar eletronicamente obras recentes, em uma série de sessões abertas aos outros participantes, curadores e
apoiadores. No terceiro dia o festival será aberto ao publico, e os artistas passarão três dias trabalhando e retrabalhando, junto com seus companheiros. Os ensaios musicais, spoken word e outras performances estarão abertos durante o dia, seguidos por apresentações à noite. Uma série de galerias funcionará vinte e quatro horas, para que pintores, escultores e artistas de novas mídias possam fazer, desfazer e refazer imagens, instalações e objetos. Haverá também um espaço dedicado a filmes e vídeos onde serão exhibidas obras produzidas nos dias antecedentes e durante o próprio festival. Escritores deverão alterar e criar poesias ou prosas durante o andamento dos eventos. Ao final do festival haverá uma exposição geral, seguida por uma celebração.
Os eventos planejados para Voando Sob o Radar serão projetados com o objetivo de encurtar diferenças culturais, barreiras linguísticas e tradições artísticas, através da cooperação direta. O conceito do festival enquanto laboratório para novos modos de cooperação artística internacional é um ponto definidor da nossa missão.
A ideia deste festival é usar a colaboração entre indivíduos pertencentes a grupos díspares para criar novas obras e abrir novos caminhos; usar a instantaneidade para acentuar a vitalidade e o compartilhamento que já estão em curso. Ao trabalhar com colaboradores organizacionais e artísticos no Rio e em São Francisco, o festival espera superar divisões nutridas por desequilíbrios globais de poder e promover a fertilização mútua de práticas artísticas nas Américas.
Voando Sob o Radar / Flying Under the Radar
Festival de Artes e Artistas
Diretor: David Linger
University of California, Berkeley,
Me. Belas Artes Mills College
Comité Consultivo___________
Garth Bixler
Artista Plástico
Heloisa Buarque de Hollanda
Autora, Editora, Professora, UFRJ
Céu
Cantora, Compositora
Enrique Chagoya
Artista, Gravurista, Professor, Stanford University
Gilberto Gil
Cantor, Músico, Compositor, Ex-Ministro da Cultura
Julio Ludemir
Co-fundador da FLUPP 2012, 2013
Luiz Camillo Osorio
Curador-Geral, MAM (Museu de Arte Moderna do Rio),
Professor de Estética
Produtor Associado: John Zarobell Historiador de Arte, Professor Assistente de Estudos Internacionais University of San Francisco
Eran Preis
Professor Associado, Diretor de Pós-Graduação,
Cinema e Arte Multimídia, Temple University
Ecio Salles
CEO FLUPP 2012, 2013
Luiz Eduardo Soares
Autor, Antropólogo, Filósofo, Professor, UFRJ
Richard Shaw
Artista, Professor, University of California, Berkeley
Caetano Veloso
Compositor, Cantor, Escritor, Ativista
Hertha D. Sweet Wong
Autora, Professora Associada de Língua Inglesa,
Diretora, Departamento de Prática Artística,
University of California, Berkeley
